Berlim e os atrativos dos 42 km alemães

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Correr uma Major é um sonho da maioria dos maratonistas. Para alguns, vários sonhos. Na verdade, seis. Cada uma tem uma característica especial e, talvez, Berlim seja a que reúne a maioria delas, com atrativos que despertam a curiosidade, o sonho e a ambição de estar na linha de largada (e chegada) da prova alemã.

Um dos pontos interessantes de Berlim é o custo-benefício. Claro que estamos falando de Europa e de uma viagem em Euro. Não é algo barato. Agora, isolando o tema e na comparação com as outras cinco Majors (Tóquio, Nova York, Londres, Chicago e Boston), a prova alemã larga na frente.

Em uma conta rápida, para duas pessoas, a hospedagem de cinco dias e as inscrições, na média, em um hotel mais simples, ficam em torno de 700 euros (até um pouco menos) em Berlim. Apenas a inscrição em Nova York para os mesmos dois corredores, supera os 700 dólares. Em Boston, 500 dólares… E por aí vai.

Com uma rede hoteleira enorme e para todos os bolsos (sem falar em hostel e aluguel de apartamento), Berlim é uma das mais econômicas para viagens de turismo na Europa, um tema sempre citado em reportagens nas revistas especializadas. Sem falar as facilidades pelo transporte público. Tudo isso influencia o custo-benefício.

Em circuito, a prova larga e chega em pontos bem próximos, o que é excelente para os torcedores e acompanhantes quanto para os participantes. Além de rápido, o bonito percurso de Berlim passa por vários pontos turísticos, como a Coluna da Vitória, o Parlamento Alemão, a antiga sede do Senado de Berlim Oriental, a Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche e outros marcos importantes da Alemanha. No final, antes da linha de chegada, os maratonistas passam Portão de Brandemburgo, o marco mais famoso do país.

Em termos de organização, nem é preciso comentar. Seja antes, durante e depois. A chance de algum problema em uma Major existe? Claro, mas é mínima. Ou seja, é algo para nem se preocupar (a não ser que você seja uma daquelas pessoas bem azaradas).

Outro fator que influencia diretamente a elite, mas reflete também em nós, amadores, tem a ver diretamente com o percurso (plano como uma mesa de bilhar, gostam de comparar muitos corredores e uma fama mais do que justificável) e os recordes mundiais em sequência, o que amplia essa fama e atração por Berlim por favorecer qualquer tipo de corredor: para os estreantes, para quem gosta de correr por diversão, para quem vai para o maraturismo, para quem busca um recorde pessoal ou para aqueles atrás do índice para outra Major, a de Boston. Os motivos são os mais diferentes, mas a maioria (para não dizer todos), garanto, se encaixa em Berlim.

Em termos de elite, a prova alemã está mais do que na história do Brasil, com o recorde mundial de Ronaldo da Costa em 20 de novembro de 1998, com 2:06:05. Mas não para por aí. Ela registra a superação de barreiras psicológicas que impulsionaram outros resultados que aplaudimos em pé.

O queniano Paul Tergat, por exemplo, quebrou a barreira das 2h05 com os 2:04:55 em 2003. Foi na “mesa de bilhar” alemã que o etíope Haile Gebrselassie escreveu a história dele e dos 42 km, com 2:04:26 em 2007 e 2:03:59 em 2008 (o primeiro homem a baixar das 2h04).

Chegando na atualidade, depois de passar por outros recordes mundiais, a atual melhor marca do mundo segue em Berlim, com outro tempo “único”, os 2:02:57 (abaixo então das 2h03) do também queniano Denis Kimetto.

Como pode ver, atrativos não faltam. Para aqueles que sonham com a Major alemã, ficam as dicas para, quem sabe, pensar no passeio e corrida para 2017. O planejamento tem de começar desde já, pois as inscrições para o sorteio devem ser em novembro (nos próximos dias a organização divulgará o calendário).

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